O Meu hermanito Tomás
Há alguns dias tenho flertado com esta página, sem coragem de escrever algo que esteja a altura do Tomás (meu negócio nunca foi escrever) ou apenas sendo egoísta o bastante para guardar um pouco da memória dele só pra mim. Pois bem, vamos lá. O que precisa ser feito, tem que ser feito! …Mas afinal quem era este Tomás, este cara que nos faz tanta falta, que me faz sentir um pouco órfão?
Profissionalmente não preciso nem falar, todos sabemos. O Tomás era o que podemos chamar de craque. Um “Ronaldão” da direção de arte! Era lançar na área pra ele, que era gol. O resultado do trabalho era sempre surpreendente, preciso; bastava realizar a imagem como ele havia pensado e do resto ele cuidava pessoalmente. Sempre pessoalmente! Ele realmente amava o que fazia e aí estava o diferencial do seu trabalho.
Mais do que isso, ele era grato pela profissão que havia lhe dado oportunidade! Ele sempre dizia com um ar professoral: “A gente nunca abandona a canoa que nos trouxe…”
Fosse ele uma fonte, acho que seria uma Century Gothic, simples, elegante, rigorosa, perfeita, ereta. Aliás a Nina sempre me dizia que o que chamava a atenção no Tomás era a sua postura ereta; ela dizia que ele parecia um toureiro. Peito aberto, espinha esticada e a cabeça erguida.
Mas o Tomás tinha na sua postura algo mais, algo difícil de se explicar. Era como cantava o Itamar Assunção: “ Um homem com uma dor é muito mais elegante”…
O Tomás queria ser o pai de todo mundo. Queria mesmo era cuidar de todos. Ele realmente se importava! Mas para alguns poucos, que tiveram o privilégio de conhecê-lo um pouco mais profundamente, estava claro que ele era apenas um menino. O Tomás era só um menino que ficava feliz em fazer amigos, em passar horas falando da vida, dando às coisas pequenas outro sentido, ele era realmente POP, mas o era da maneira mais sofisticada possível, sempre. Ele queria era que o luxo fosse para todos!
Além de todas estas coisas sobre o meu amigo Tomás, tem algo que me vem a cabeça e que faz dele além de um grande profissional e amigo, também um grande ser humano; o meu amigo Tomás era verdadeiramente generoso. Generoso, na maneira mais essencial que esta palavra pode significar e isso é impossível de se negar.
Pessoalmente acho que depois de quase quinze anos recebendo as chamadas dele quase todos os dias, o meu telefone também vai ficar um pouco na saudade.
O Tomás foi um grande privilégio!
Faltou apenas um abraço!
Depois de ler isso tudo, ele num tom professoral, cabeça ligeiramente erguida, esfregaria uma mão na outra, pediria mais uma cerveja para o garçom e dispararia: “hermanito, a roda da vida gira pra frente; não é não”!
Willy
1 Comment for "O Meu hermanito Tomás"
1. posted by Gabi Rodriguez on August 15, 2009 02:46
Verdades… somente verdades lemos aqui a respeito do Tomás, Willy!!!
Alex e eu, através de ti, pudemos contar com a disponibilidade, talento e camaradagem desse cara para o projeto Escoffianas Brasileiras.
Surpreendentemente divertido e competente, meu caro.
Graças a ele e suas orientações/indicações (e vc bem sabe disso) pudemos lançar um livro que reflete a consistência do trabalho de outro talentoso brother nosso.
Mesmo com o delay e correria da vida dos executivos da Gastronomia, sintam-se abraçado e beijados por nós…
Gabi Rodriguez e Alex Atala.
